Quando o cérebro divide espaço com o coração, só nos resta pôr a batalha no papel
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Leve
Hoje não há teoria das cordas
que possam segurar
o cheiro do vinho
e o sono leve das pedras
boiando no ar
Hoje quem manda é meu caos
ao construir à minha ordem.
Sou rei e valete de paus
mas virei três, não soube o que fiz
(e não vai rimar), porque quero rir!
Ao invés disso, sem desespero,
deixo que o quatro escorregue
da manga com limão e gelo
e a língua cole o seis
na testa da sorte
De sorte que seja minha hoje
raptada do seu mundo probabilístico
e jogada na minha masmorra
grafitada coloridamente, como o diabo
realizando aquele porcento maroto
Até perder a graça,
na desgraça do erro sério,
do acerto infantil e ingênuo
ao fechar o olho e atirar,
correr, saltar e cair errado
Quebrei todos os dentes
sem me machucar
e ri com boca sangrenta
porque hoje não há dor
Hoje está meu
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Meu ovo de colombo
Hoje eu
prego
mas me entrego
e no desfecho
eu nego
Hoje eu
ontem ego
prego
Hoje deu
ontem zero
Pelo réurezo
Sai do breuo nó cego
E no meu medoescorrego
Não é meumas me entrego
e no desfecho
eu nego
Hoje eu
ontem ego
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
TaiyoStyle
Se o carro puxa o cachorro
e o cachorro puxa o rabo
do ponto de vista dele (o rabo)
não há problemas em balançar
Mas se o rabo, puxa-vida,
puxasse o cachorro,
cachorros de rabos cortados
viveriam pela metade
Por isso disse ao veterinário: mitose.
Eu, que não sou rabo nem cachorro,
me preocupo onde meto meu nariz,
para que não fique triste,
ou viciado
Ainda assim volto pra casa embriagado
às vezes sólido, às vezes líquido,
já que nada se cria e tudo se transforma,
mas com uma felicidade só minha
Resultado disso: Van Gogh com Picasso
Não é questão de ângulo,
talvez papo de bêbado,
mas nunca um pé sadio
será mais feliz que olhos míopes
E se eu, assim, meio Picasso
balançando igual rabo de cachorro
e latindo para carros
não derreto meu vício em tristeza
Digo ao veterinário: me (Van) Grogue
e o cachorro puxa o rabo
do ponto de vista dele (o rabo)
não há problemas em balançar
Mas se o rabo, puxa-vida,
puxasse o cachorro,
cachorros de rabos cortados
viveriam pela metade
Por isso disse ao veterinário: mitose.
Eu, que não sou rabo nem cachorro,
me preocupo onde meto meu nariz,
para que não fique triste,
ou viciado
Ainda assim volto pra casa embriagado
às vezes sólido, às vezes líquido,
já que nada se cria e tudo se transforma,
mas com uma felicidade só minha
Resultado disso: Van Gogh com Picasso
Não é questão de ângulo,
talvez papo de bêbado,
mas nunca um pé sadio
será mais feliz que olhos míopes
E se eu, assim, meio Picasso
balançando igual rabo de cachorro
e latindo para carros
não derreto meu vício em tristeza
Digo ao veterinário: me (Van) Grogue
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Pensamentos líquidos
![]() |
| Quadro de Troy Lovegates |
afundado em pensamentos infinitos
inter-conectados ao mesmo tempo
sujo de eternos sobrescritos
Nessa apnéia surda, vivo
abrindo passagem entre os ditos,
contos, versos, romances
dos mais variados nuances
Mas hei de respirar um dia
a clareza de um dia reto
e sem volteios, sem cores frias,
sem vozes mentais, aberto
E verei tudo de cima
tecendo versos em caos ordenado
em cores quentes, minhas rimas
do todo ou em parte, feitas com cuidado
Onde finalmente perecerei feliz
por me ver em totalidade
imerso no mundo que fiz
e também parte de qualquer paisagem
Tornando-me encaixe exato
entre o passado e o futuro distantes
apenas humano em seu extrato
em fluxo único e constante
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Encruzilhada
Te escolhi dentre o improvável
(de uma amiga dizendo surdamente
"queria que a conhecesse, ela é adorável")
puxando teu braço, sorteada de repente
ao apertar do meu ombro, teus dedos
virei e encontrei o teu beijo bom
de arrepiar-me os pelos
de rasgar horas ao som
das onomatopéias eletrônicas
e um mozaico multicolorido
desencontrada em noite sônica
procurei teu cabelo escondido
pequenina em meio à multidão
encontrei tuas mãos
guardei-te em braços meus
e me perdi com sonhos teus
porque atravessei as noites
e inúmeros dias se passaram
te cultivei e me morrestes
e de número e espera nos deixaram
numa dança complicada
de datas, chefes, viagens, e horas marcadas
jogos de copa e quarto vazios
como o estômago e coração
da primeira ausência, o frio
não quero jogos, não!
Estes supostamente não eram para existir,
e confusão mental
gerada ao convergir
de mais um par de beijos afinal
e a mensagem espetada
na garganta que o ouvido não quer engolir
de haver adorado a noite,
deixando-me em casa, desesperado
pela a droga da aceitação
e as expectativas deixaram passar
por ilusão de vaidade?
Talvez psicologia barata de um perdido
que não sabe mais nada da verdade
enganado por uma paixão
construída com doze beijos
sem cama, sem conversa e nem chão
mas que acredita nos velhos meios
futura felicidade e muita projeção
de tu que vieste do nada
em recomendação
e ocupaste o espaço de semanas inteiras
de minhas dúvidas e tentativas frustradas
por quinze minutos de olhos nos olhos
de um basta em conversas veladas
E ao sentir o laço frágil se desfazer
desmilingüindo entre mensagens perdidas
entre datas não encontradas
da tristeza mais ardida
chego à encruzilhada:
à direita tento isto
à esquerda não me arrisco
e adiante só a estrada
(de uma amiga dizendo surdamente
"queria que a conhecesse, ela é adorável")
puxando teu braço, sorteada de repente
ao apertar do meu ombro, teus dedos
virei e encontrei o teu beijo bom
de arrepiar-me os pelos
de rasgar horas ao som
das onomatopéias eletrônicas
e um mozaico multicolorido
desencontrada em noite sônica
procurei teu cabelo escondido
pequenina em meio à multidão
encontrei tuas mãos
guardei-te em braços meus
e me perdi com sonhos teus
porque atravessei as noites
e inúmeros dias se passaram
te cultivei e me morrestes
e de número e espera nos deixaram
numa dança complicada
de datas, chefes, viagens, e horas marcadas
jogos de copa e quarto vazios
como o estômago e coração
da primeira ausência, o frio
não quero jogos, não!
Estes supostamente não eram para existir,
e confusão mental
gerada ao convergir
de mais um par de beijos afinal
e a mensagem espetada
na garganta que o ouvido não quer engolir
de haver adorado a noite,
deixando-me em casa, desesperado
pela a droga da aceitação
e as expectativas deixaram passar
por ilusão de vaidade?
Talvez psicologia barata de um perdido
que não sabe mais nada da verdade
enganado por uma paixão
construída com doze beijos
sem cama, sem conversa e nem chão
mas que acredita nos velhos meios
futura felicidade e muita projeção
de tu que vieste do nada
em recomendação
e ocupaste o espaço de semanas inteiras
de minhas dúvidas e tentativas frustradas
por quinze minutos de olhos nos olhos
de um basta em conversas veladas
E ao sentir o laço frágil se desfazer
desmilingüindo entre mensagens perdidas
entre datas não encontradas
da tristeza mais ardida
chego à encruzilhada:
à direita tento isto
à esquerda não me arrisco
e adiante só a estrada
terça-feira, 27 de julho de 2010
Incompleto
Em busca de amor e complemento
me lanço bobo ao mar em aventura
ansiando em conquistar alento
entre beijos, abraços e ternura
Os esforços usados na conquista
de atitudes, rimas e flores (piegas)
esvaziam a esperança de pista
de atenção cuja "pretê" hoje nega
Gastando desta feita a minha arte
exausto de esperar a contra-parte
e louco e solitário na disputa
desisto de enfrentar, assim, tal luta
por esse horizonte não repleto,
permanecerei assim
terça-feira, 20 de julho de 2010
Sem choro
Sem choro, que agora não adianta mais
escolhemos as armas e quebramos nossa paz
consumimos cestas e mais cestas de maçãs
Seguindo pelos campos sofridos
da liberdade, da escolha e da razão
buscando um futuro desvalido
em busca de qualquer conforto, dando as mãos
trilhamos o caminho ainda perdidos
E pisando dia após dia em sangue divino
de um Deus louvado por conveniência
no desespero estampado, mas contido
dentro de cada consciência
ainda rezamos e imploramos
Seguindo pelos campos sofridos
da liberdade, da escolha e da razão
buscando um futuro desvalido
em busca de qualquer conforto, dando as mãos
trilhamos o caminho ainda perdidos
ora evoluindo, ora rumo à destruição
E pisando dia após dia em sangue divino
de um Deus louvado por conveniência
no desespero estampado, mas contido
dentro de cada consciência
ainda rezamos e imploramos
diante dos mesmos erros cometidos
e da falta de resposta da ciência
e da falta de resposta da ciência
Se o volume do seu mundo ainda está baixo
ou se as cores não mais representam
as vozes trêmulas em busca de socorro
saiba que dor e escolha se alimentam
saiba que dor e escolha se alimentam
apenas olhe o espelho e engula o choro
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Eu e Deus
Não sou o maior fã de Deus
Porque Deus não cuidou dos seus
E Deus nos escolha
E Deus nos fizemos
E Deus andou
Adeus
Ainda assim acredito nas suas linhas tortas de maçãs que comemos.
Porque Deus não cuidou dos seus
E Deus nos escolha
E Deus nos fizemos
E Deus andou
Adeus
Ainda assim acredito nas suas linhas tortas de maçãs que comemos.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Vasculhando o passado
Procuro o passado
perdido, picado
em pequenos pedaços
de papel de almaço
Vasculho velhas vasilhas
que revelam verdadeiras
lembranças varridas
na vastidão da vida
Muitos sonhos se passaram
mas nem todos se acabaram
por essas noites passadas em vão
E não consegui juntar os pedaços
dos sonhos perdidos, picados
espalhados pelo meu chão
*poema feito quando eu tinha 10 anos
perdido, picado
em pequenos pedaços
de papel de almaço
Vasculho velhas vasilhas
que revelam verdadeiras
lembranças varridas
na vastidão da vida
Muitos sonhos se passaram
mas nem todos se acabaram
por essas noites passadas em vão
E não consegui juntar os pedaços
dos sonhos perdidos, picados
espalhados pelo meu chão
*poema feito quando eu tinha 10 anos
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Morte e vida na hora do rush
Salpicam entre o dourado penetrante
pedaços de coisas em movimento exuberante
do vapor quente que sobe ao nariz
aos que repousam finalmente ao plúmbeo-gris
Visão de monotonia plácida que jaz
nos vultos lentos a passar em falsa paz
choca-se em meio a música repentina e chuvosa de sapatos
em saltos úmidos frustrados se livrando de regatos
E em tarde quente cujo fim se aproximava
do fim da gente ou mais um fim de uma jornada
sobrando em frente a mudez noturna desesperada
Do tédio de ver a vida passar
Na esperança de uma luz abri um livro
Mas desisti, tomei coragem de viver e abri o vidro
pedaços de coisas em movimento exuberante
do vapor quente que sobe ao nariz
aos que repousam finalmente ao plúmbeo-gris
Visão de monotonia plácida que jaz
nos vultos lentos a passar em falsa paz
choca-se em meio a música repentina e chuvosa de sapatos
em saltos úmidos frustrados se livrando de regatos
E em tarde quente cujo fim se aproximava
do fim da gente ou mais um fim de uma jornada
sobrando em frente a mudez noturna desesperada
Do tédio de ver a vida passar
Na esperança de uma luz abri um livro
Mas desisti, tomei coragem de viver e abri o vidro
terça-feira, 29 de junho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
Zom in, Zoom out
Em se supor,
suponho que
o mundo ora dista
e ora se acerca
De fato,
sem nada,
vivemos tudo
no mesmo momento
E o embalo das horas
inexorável
faz-nos caminhar
como escravos do tempo
Prazer te encontrar
conhecer, esquecer
apaixonar
dando sentido ao que é viver
Fotos, figuras,
marcas e rastros
e cicatrizes
de amores gastos
Manias,
fescuras
de outros dias
em partes iguais
Nunca vistas,
e sempre aparentes,
revelam marcas
dos seus ancestrais
Seguindo seu rumo
sem norte, sem prumo
no caos e na ordem
do cerne de tudo
Entorta-se a vista
adequa-se a fonte
segue o padrão
que devora a gente
Num dia ou no outro
vive-se o máximo
doa-se o mínimo
chora contente
O prazer deslavado
de usar mal usado
cada trocado,
doado do tempo
Sem garbo,
requinte ou luxo
ignorando tudo,
pois viver é efêmero
o mundo ora dista
e ora se acerca
De fato,
sem nada,
vivemos tudo
no mesmo momento
E o embalo das horas
inexorável
faz-nos caminhar
como escravos do tempo
Prazer te encontrar
conhecer, esquecer
apaixonar
dando sentido ao que é viver
Fotos, figuras,
marcas e rastros
e cicatrizes
de amores gastos
Manias,
fescuras
de outros dias
em partes iguais
Nunca vistas,
e sempre aparentes,
revelam marcas
dos seus ancestrais
Seguindo seu rumo
sem norte, sem prumo
no caos e na ordem
do cerne de tudo
Entorta-se a vista
adequa-se a fonte
segue o padrão
que devora a gente
Num dia ou no outro
vive-se o máximo
doa-se o mínimo
chora contente
O prazer deslavado
de usar mal usado
cada trocado,
doado do tempo
Sem garbo,
requinte ou luxo
ignorando tudo,
pois viver é efêmero
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Alívio
Suspira o coração
ao desascelerar
do topo de seu pulsar
após o susto de um trovão
Engole e conflita
o nó preso na garganta
desmorona
em boca doce ao salivar
Braços escorrem
arrastando ombros e dedos
em onda de calor
relaxando até o pé
Que formiga
junto da barriga
acalorada novamente
onde fome toma vida
E torce o pescoço
tal qual a coruja
ao sentir o estalar
aliviado osso por osso
Mas olhar quase escuro
concordando com barulho
reticente, quase surdo
destoando ao relaxar
Da arma segue o tiro
e o trovão com o alívio
da morte ao me levar
terça-feira, 8 de junho de 2010
Transitivo do impacto da paixão à primeira vista
Há dias que o transito instintivo
em um não-piscar fica assim: definitivo.
Esparramado escorre mais um corpo no degrau,
dor e lamúria de um desastre nacional.
Não há um dia sem ser atormentado
por haver sido atropelado.
Porque vi você, que não sorriu.
E o vidro do meu coração então se partiu.
em um não-piscar fica assim: definitivo.
Num momento o alternar entre o escuro,
e claro demais... noutro o inferno o céu, inseguro.
dor e lamúria de um desastre nacional.
Um, dois, três passantes
logo logo sirenes incessantes.
Mas sei que passaram mais, e esse não vi,
último em memória e primeiro suspiro na UTINão há um dia sem ser atormentado
por haver sido atropelado.
Porque vi você, que não sorriu.
E o vidro do meu coração então se partiu.
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