Salpicam entre o dourado penetrante
pedaços de coisas em movimento exuberante
do vapor quente que sobe ao nariz
aos que repousam finalmente ao plúmbeo-gris
Visão de monotonia plácida que jaz
nos vultos lentos a passar em falsa paz
choca-se em meio a música repentina e chuvosa de sapatos
em saltos úmidos frustrados se livrando de regatos
E em tarde quente cujo fim se aproximava
do fim da gente ou mais um fim de uma jornada
sobrando em frente a mudez noturna desesperada
Do tédio de ver a vida passar
Na esperança de uma luz abri um livro
Mas desisti, tomei coragem de viver e abri o vidro
Quando o cérebro divide espaço com o coração, só nos resta pôr a batalha no papel
quarta-feira, 30 de junho de 2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
Zom in, Zoom out
Em se supor,
suponho que
o mundo ora dista
e ora se acerca
De fato,
sem nada,
vivemos tudo
no mesmo momento
E o embalo das horas
inexorável
faz-nos caminhar
como escravos do tempo
Prazer te encontrar
conhecer, esquecer
apaixonar
dando sentido ao que é viver
Fotos, figuras,
marcas e rastros
e cicatrizes
de amores gastos
Manias,
fescuras
de outros dias
em partes iguais
Nunca vistas,
e sempre aparentes,
revelam marcas
dos seus ancestrais
Seguindo seu rumo
sem norte, sem prumo
no caos e na ordem
do cerne de tudo
Entorta-se a vista
adequa-se a fonte
segue o padrão
que devora a gente
Num dia ou no outro
vive-se o máximo
doa-se o mínimo
chora contente
O prazer deslavado
de usar mal usado
cada trocado,
doado do tempo
Sem garbo,
requinte ou luxo
ignorando tudo,
pois viver é efêmero
o mundo ora dista
e ora se acerca
De fato,
sem nada,
vivemos tudo
no mesmo momento
E o embalo das horas
inexorável
faz-nos caminhar
como escravos do tempo
Prazer te encontrar
conhecer, esquecer
apaixonar
dando sentido ao que é viver
Fotos, figuras,
marcas e rastros
e cicatrizes
de amores gastos
Manias,
fescuras
de outros dias
em partes iguais
Nunca vistas,
e sempre aparentes,
revelam marcas
dos seus ancestrais
Seguindo seu rumo
sem norte, sem prumo
no caos e na ordem
do cerne de tudo
Entorta-se a vista
adequa-se a fonte
segue o padrão
que devora a gente
Num dia ou no outro
vive-se o máximo
doa-se o mínimo
chora contente
O prazer deslavado
de usar mal usado
cada trocado,
doado do tempo
Sem garbo,
requinte ou luxo
ignorando tudo,
pois viver é efêmero
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Alívio
Suspira o coração
ao desascelerar
do topo de seu pulsar
após o susto de um trovão
Engole e conflita
o nó preso na garganta
desmorona
em boca doce ao salivar
Braços escorrem
arrastando ombros e dedos
em onda de calor
relaxando até o pé
Que formiga
junto da barriga
acalorada novamente
onde fome toma vida
E torce o pescoço
tal qual a coruja
ao sentir o estalar
aliviado osso por osso
Mas olhar quase escuro
concordando com barulho
reticente, quase surdo
destoando ao relaxar
Da arma segue o tiro
e o trovão com o alívio
da morte ao me levar
terça-feira, 8 de junho de 2010
Transitivo do impacto da paixão à primeira vista
Há dias que o transito instintivo
em um não-piscar fica assim: definitivo.
Esparramado escorre mais um corpo no degrau,
dor e lamúria de um desastre nacional.
Não há um dia sem ser atormentado
por haver sido atropelado.
Porque vi você, que não sorriu.
E o vidro do meu coração então se partiu.
em um não-piscar fica assim: definitivo.
Num momento o alternar entre o escuro,
e claro demais... noutro o inferno o céu, inseguro.
dor e lamúria de um desastre nacional.
Um, dois, três passantes
logo logo sirenes incessantes.
Mas sei que passaram mais, e esse não vi,
último em memória e primeiro suspiro na UTINão há um dia sem ser atormentado
por haver sido atropelado.
Porque vi você, que não sorriu.
E o vidro do meu coração então se partiu.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Receita
Tomei dois sorrisos
somei uma dor
embora indeciso
tirei uma cor
Somei neologismos
formados com graça
furei silogismos
que a vida me traça
No espaço vazio
um suspiro fundo
um pouco de frio
que se derreteu
criei esse mundo
pus nome de meu
somei uma dor
embora indeciso
tirei uma cor
Somei neologismos
formados com graça
furei silogismos
que a vida me traça
No espaço vazio
um suspiro fundo
um pouco de frio
que se derreteu
criei esse mundo
pus nome de meu
quarta-feira, 2 de junho de 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
Indiferença
Na trama do lençol restaram teus suspiros
roupas, cheiro, batom, o sal do teu suor
no meu copo de vinho teu gosto e delírio
o som daquele disco tocando em dó menor
O tom da vida curta outrora proferido
felicidade pura que exalava de nós
agora inspira o medo perdido em teus gritos
e dá ao beijo amargo sabor de mais um pós
roupas, cheiro, batom, o sal do teu suor
no meu copo de vinho teu gosto e delírio
o som daquele disco tocando em dó menor
O tom da vida curta outrora proferido
felicidade pura que exalava de nós
agora inspira o medo perdido em teus gritos
e dá ao beijo amargo sabor de mais um pós
Jaz teu corpo na cama em sonho suspendido
desperta do cansaço da briga e da descrença
e fúria indomável do término cumprido
e o silêncio negro da minha indiferença
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