I
everything is good, so far
raízes me deixam imóvel
plantado a um móvel, meu sofá
é sina de domingo
que pede cachimbo (ou seria pé de cachimbo?)
mas o cachimbo não é de ouro,
e o touro, chama-se lente
das câmeras, CDs players, máquinas fotográficas,
que batem na gente,
e em mim, na lente dos meus olhos e ouvidos
e lá vem o buraco, ao estilo Alice,
apimentado por Jefferson's Airplane,
em trocar o dever
pela toca de prazer
rodeado por música, amigos, TV,
adolescente irresponsável
meia hora, uma hora, dezenas de ampulhetas
em exercício temerário
e o sol se pôs denovo
e o gato furioso
grita: aonde você quer chegar?
na verdade querer eu não quero
mas eu sei bem aonde vou,
conheço bem esse lugar.
É uma zona de conflito
tal qual Israel e Egito,
se voltassem a brigar.
II
Meu id que é super
e o superego é idiota (tal qual o coelho)
produzindo em vão
um remorso de tempo e cadeira
ao levando ao frio o chá, na geladeira,
deixando o filho de um cristão
aflito e anisoso, motivo de chacota.
E o ego maldito,
perdido
aceitando cada nota
cantada a plenos pulmões
em nome do viver da vida
tentando curar a ferida
e desviando sua rota
aos sentidos falastrões
do que toco, ouço, degusto, cheiro, e vejo
numa dança pseudo-divina
até que escorra endorfina
desse nariz viciado em desejo.
III
E lá o sol se vai
e sem dó (sustenido menor) a lua vem
em si a noite cai
e em mi caio também
exausto em minha luta
ao compor sem papel
ao reger sem batuta
à repetitiva inspiração de um Ravel
minha eterna toccata e fuga.
Video: Interpretado por Valentina Lisitsa (estudo no. 12 op. 25 de Chopin)
Video: Interpretado por Valentina Lisitsa (estudo no. 12 op. 25 de Chopin)



