domingo, 12 de junho de 2011

É bobo



Ontem te vi na varanda
preguiçosa na rede
bolei um poeminha
pra chamar tua atenção
Mas se tu gostaste
como disseste
do poema
por que me deste um bolo?
Então bolei outro poeminha
sobre aquele triste dia
que tu me embolaste
mas não te enviei
pois bolar poema
a quem dá bolo
de amor
me dá fome
e hoje um bolo
comerei

terça-feira, 7 de junho de 2011

Cuide-se



Em minha ausência
esteja alerta
esteja aberta
a qualquer nova
experiência

Mande carta
mande foto
ou se esconda
em penitência

Vire louca
fique rouca
gritando as minhas
indecências

Fique fria
ou vazia
em agonia
e se mate
de carência!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Embora



Em silêncio
subitamente desgostoso
eu espio
5 minutos que irão sumir
após todas essas noites
e obrigo meus neurônios
concentrarem no quadro-a-quadro
de suas pernas semi-abertas
mal esticadas pela cama
seu cansaço sincero
sua beleza
amarrotada entre os lençóis
tentando apreender de nós
quem somos
porque o desejo
mais que o tempo
é de estarmos nós

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A mão-dição



Mortalmente tudo se integra:
vícios, virtudes, valores,
e uma alma pura e cheia de cores,
mesmo lavada, se mancha de negra

Nessa construção ditada à tinta
revelando a linha por linha o tempo
em que o não apagar explica
o resultado de cada intento

A sina das mãos divinas segue
sentenciando vidas e mortes
rabiscando cada elemento

ignorando que o homem negue
impecável, sem saltos ou cortes
para alegria ou para lamento

Imagem: www.happyloverstown.eu

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sabe as palavras...




S.A. B aspas:
lavras, estas,
conque nos
ex-crê-vemos?

Estas mesmas.
Tão palavras
tantas, tontas

Elas formam uma imagem
uma realidade
na cabeça de cada um

Hoje as palavras abundam
e colocamos
na bunda
de
cada uma delas

Falamos sem saber
o que cada cabeça
e cada sentença
representarão
por quê?

Porque cada palavra
ainda que sábia
não significa nada
que o dicionário diz.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Nós desfeitos: a eterna dúvida



Pra que ceder ao vício
de estar em tal estado?

Por que se arriscar
a ser talvez ferido?

Por que querer sentir
o que não há sentido?

Por que esquecer de si
se deste si há de ter dó?

Por que estar feliz
se no futuro, há risco?

Por que abdicar do orgulho
de ser único e ser duplo?

Por que saber-se junto
mesmo estando só?

Por que sem querer
se quer tudo agora?

Por que eu?
Por que você?

Por que não nós?

sexta-feira, 29 de abril de 2011

DR


Ontem lavamos a roupa suja
pus sabão, tu puseste água
batemos e esfregamos
tanta força em mantê-las limpas
teu cheiro se foi com a água
vestimos a alma lavada
nossa sujeira foi escondida
mas continuamos despidos
porque há tempos nos despedimos
das nossas carapuças
nas nossas escaramuças

Imagem: Herbert Baglione

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sinto muito



Qual o sentido? 
eu queria um norte
e olhei para a placa
e na placa, aquela seta
não devia estar correta

Então...
qual o sentido?
molhei o dedo na boca
esperei o vento soprar
gosto de pastel
mas o vento morreu
e meu dedo me... 

Então...
qual o sentido?
respirei, humm,  pão de queijo!
talvez de uma cantina
mas fome não havia
se houvesse até que eu ia

Então...
qual o sentido?
ouvi o barulho do quartel
inspeção do coronel
e o soldado atrasou
e não gostei, muito cruel

Então...
qual o sentido?
quando escureceu
tropecei na maldita pedra
aquela, do caminho
e xingando o tombão
porque estava lá a pedra
e o sentido não

Então...
Andei sem sorte
e sem destino
mas nem a sorte
nem a arte
se atinaram ao perigo
que se move à contra parte
disfarçando de fininho
a vontade de explicar
o que dizia o pergaminho
e a correria que eu fiz
como herói sem nem ter sido
com a razão sem nem ter tido
nessa dança sem sentido

Imagem: Isaac Cordal

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Trava lírica


Setenta e dois com sete
setenta e nove, errei.

Sempre preferi os pares,
mas sempre quis ser ímpar.

Sem pré,
pré feri os pares
mas não fui capaz,
apenas quis ser ímpar.

Testei dois versos
detestei o resultado.

Testei dois, veja só,
e de ré foi exultado.

Atestado o meu dilema
que agora já é problema
talvez mental, talvez poema

encerro a equação,
que no final não foi em vão,
com um igual ou interrogação

Imagem: Lead Pensil Studio

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Lar dos desejos



Para quem ama
nada pior
que a solidão
da cama

Imagem: fucknfilthy.com

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Dia é nome de Sereia



Noite vaga, noite ébria
cujo andar se demora
no seu silêncio me entrega
o aguardar da aurora

Noite calada, noite megera
tua solidão apavora
tua tristeza não nega
e tua beleza devora

Em cada lampejo de escuro
sobrepõe uma brisa fresca
dedilhados do ar mais puro
impedindo que o dia aconteça

Acorde menino inseguro
acorde antes que enlouqueça
especros feios de olhares duros
confundem a sua cabeça

Acorde e se entregue ao dia
deixe que esquente com calma
com luz e calor a vazia
frieza da sua alma

Dia de sol, de cabelos dourados
ilude os olhos famintos
com cores de todos os lados
pintando em aquarela um labirinto

Dia claro, dia quente
que a minha tristeza nega
cujo brilho esconde contente
a dor da alma e a mantém cega

Imagem: Titi Freak

sexta-feira, 25 de março de 2011

Nuclear



Eu, mesmo alfa, me derreto
no teu beijo, atômico.

Tua boca à beta, me completa,
minha língua acompanha, atônita.

Teu olhar assim me ganha,
dos teus olhos, raios gama.

Me atravessam, eu gamo.

E nem mesmo o mais discreto
ou meu coração, concreto

resiste à tua trama, teu novelo. 
Meu afeto se envolve, que novela...

Mas súbito te vais,  me abandona,
e a fusão que eu previa, tu detonas.

É a sintonia desse radio, ainda ativo,

Imagem: fffound.com

quinta-feira, 24 de março de 2011

Meme Literário



1 - Comédias da Vida Privada - Luis Fernando Veríssimo - às vezes eu abro esse livro e leio uma ou duas crônicas. É muito divertido. O Luis Fernando Veríssimo sabe mesmo brincar com a psicologia familiar.

2 - Crônicas Saxônicas - Bernard Cornwell - é um livro de guerra, sobre a formação da Inglaterra, adoro a descrição das batalhas feitas pelo autor. Mas aqui eu fui malandro: é uma série que ainda não terminou de ser lançada, deve ter uns 6 ou 7 livros... hehehe

3 - 1984 - George Orwell - eu sei que é um livro meio batido, provavelmente todos os que vêm até aqui leram, mas eu acho que estamos sendo vítimas de uma lavagem cerebral vinda diretamente do poder, estamos enchergando o que não devíamos e nos cegando para a verdade. Vale a pena ler denovo.

4 - 10?! Não é mto não?!
- Rafaella Rimoli
- Extraordinárias
- Foi Assim
- Relevâncias, Excessos, Quinquilharias, blá blá blá...
- Degusta!
- Metodicamente Transitórios
- Cosmunicando

5 - http://viajenajanela.blogspot.com

Obrigado pela gentileza Elenir!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Expectativa

2
Teus cigarros inapagados
em cinzas quilométricas
teu beijo borrado
e essas sobrancelhas tétricas
do cabernet envelhecido
aberto, jogado e bebido
são mais um passo dado
ao nosso precipício

Meu suor e esse perfume
misturando o teu ciúme
e estampado em bom estado
ainda do batom estalado
e tua voz ao meu ouvido
agredindo em estampido
a traição desse malvado
e o nosso amor perdido

Tens na língua teu esforço
de como fizeste o teu esboço
da uma história nossa perfeita
mas minhas culpas e desfeitas
escureceram tua voz
e cada marca atroz
que agora tu proferes
não magoam nem me ferem

Então eis aqui, pois tenho
cada ato e cada senho
em minha pele estampados.
O vilão amaldiçoado
que tu acabaste criando
ao longo dos últimos anos
que navegava o pecado
agora é marujo formado

E mais, que fiz valer
porque hei de merecer
da paciência a redenção
de refutar o teu perdão,
pois não deve haver clemência
após tanta penitência
de cada ano enfrentado
e cada sorriso guardado

Então veste teu vestido
e tua mórbida libido,
limpa o olhar borrado
e vá em busca de outro amado,
pois cansei de vê-la querer
mais que eu poderia ceder
e tu sabes muito bem
que teu desejo foi além

e o futuro era errado

Imagem: Jerry Hsu