Te escolhi dentre o improvável
(de uma amiga dizendo surdamente
"queria que a conhecesse, ela é adorável")
puxando teu braço, sorteada de repente
ao apertar do meu ombro, teus dedos
virei e encontrei o teu beijo bom
de arrepiar-me os pelos
de rasgar horas ao som
das onomatopéias eletrônicas
e um mozaico multicolorido
desencontrada em noite sônica
procurei teu cabelo escondido
pequenina em meio à multidão
encontrei tuas mãos
guardei-te em braços meus
e me perdi com sonhos teus
porque atravessei as noites
e inúmeros dias se passaram
te cultivei e me morrestes
e de número e espera nos deixaram
numa dança complicada
de datas, chefes, viagens, e horas marcadas
jogos de copa e quarto vazios
como o estômago e coração
da primeira ausência, o frio
não quero jogos, não!
Estes supostamente não eram para existir,
e confusão mental
gerada ao convergir
de mais um par de beijos afinal
e a mensagem espetada
na garganta que o ouvido não quer engolir
de haver adorado a noite,
deixando-me em casa, desesperado
pela a droga da aceitação
e as expectativas deixaram passar
por ilusão de vaidade?
Talvez psicologia barata de um perdido
que não sabe mais nada da verdade
enganado por uma paixão
construída com doze beijos
sem cama, sem conversa e nem chão
mas que acredita nos velhos meios
futura felicidade e muita projeção
de tu que vieste do nada
em recomendação
e ocupaste o espaço de semanas inteiras
de minhas dúvidas e tentativas frustradas
por quinze minutos de olhos nos olhos
de um basta em conversas veladas
E ao sentir o laço frágil se desfazer
desmilingüindo entre mensagens perdidas
entre datas não encontradas
da tristeza mais ardida
chego à encruzilhada:
à direita tento isto
à esquerda não me arrisco
e adiante só a estrada