Quando o cérebro divide espaço com o coração, só nos resta pôr a batalha no papel
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Angina
E no início do dia
no pulsar do coração
choro gotas de areia
derrapando em vão
pela ampulheta horária
da brevidade humana
meio louco, meio são
Soluço de consciência
estoura de espasmo químico
da perene penitência
pulando de um choque mínimo
enquanto a respiração se arrasta
e o sufoco da paciência
ri sem achar graça
Resignado consolidando nada
como peças de legos
num mar repleto de bolhas
frágeis e multi-saborosas.
Elas estouram caladas em marasmo
como a ansiedade se contrapondo
à felicidade de um orgasmo
Espremo o limão racional
nos olhos do coração
e deixo queimar o dia ao sol
por mais uma vitória vazia
sigo, brilhantemente cego
contando com a amnésia da morte
escorrendo o sol por mais um horizonte
vermelho rajado com cinza do mau tempo
Só breve vivo
Imagem: Sombras de Kumi Yamashita
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Nossa, Edu...não sei o que dizer... misto de dor, prazer, conquista, silêncio, tristeza, solidão, morte, felicidade...tomara que seja a pulsão da vida, que mistura sensações e sentimentos...
ResponderExcluirViajei, muito (?). Bom fim de semana!!
Espremer limão no coração pode deixá-lo... amargo?
ResponderExcluirhaha
Abraço
Orgasmo não tem felicidade, é prazer.
ResponderExcluirPor isso que o sexo traz tanto sofrimento, porque te dá prazer, e se você ficar sem sexo vem o oposto: a dor.
E a felicidade real não tem opostos.
Abraço
Belíssimo!
ResponderExcluirAgora fico sem as palavras, deixo-as pra você.
Saudade daqui. Desse seu espaço.
Prometo voltar, sempre e sempre.
Beijos.
Rafa.
A dor é tão humana quanto o prazer.
ResponderExcluirA dor caleja!
A arte é impactante - tanto quanto o texto.
abraços